LIVRO UM - INÍCIO
Acabara de amanhecer o primeiro dia de inverno. Era possível sentir uma leve brisa fria. O céu acinzentado, com algumas nuvens bem escuras dava um efeito diferente ao clima. Poucas pessoas circulavam e as que passavam, estavam bastante agasalhadas. - Bom dia! – exclamou o pai que logo fez Pedro acordar perplexo.
– Fiz um café da manhã reforçado, presumo que a viagem será cansativa. Quando o pai tocou no assunto de viagem, logo se lembrou que há exatamente uma semana havia comemorado seu décimo sexto aniversário, tendo recebido a visita de sua mãe, Helena, que o convidou para morar junto dela. Ele aceitou e hoje, após o café da manhã, iria embarcar. - Ah, sim, pode ser – disse o garoto com os olhos semi-abertos. – Que horas eu pego o trem? - Exatamente às 10h– respondeu sem olhar para o filho. – E... são 9h!Assim que percebeu que tinha uma hora para fazer uma pequena refeição e terminar de colocar seus últimos pertences na mala, sentiu certo nervosismo, uma estranheza, uma sensação de adeus.Pedro, então, deu algumas mordidas nas torradas com manteiga e queijo, alguns goles no leite quente, levantou-se para apanhar o que faltava levar e sumiu pelo corredor que terminava em seu quarto. Passaram alguns minutos e o garoto voltava já com a mala e com uma roupa bastante quente; olhando no relógio e percebeu que faltavam trinta minutos para passar o trem. Luigi já esperava o filho no carro com impaciência, era um Escort preto, um pouco conservado. Pedro tive certa dificuldade em colocar a mala no porta-malas, mas com alguns socos nela, foi possível acomodá-la e finalmente, entrar ao carro. Seguiram para a estação de trem mais próxima deles. O garoto não parecia muito animado, mas também não estava triste. Durante todo o percurso, ninguém dirigira a palavra a ninguém, só era possível ouvir o suave barulho do chuvisco lá fora.
Enfim, chegaram a estação; o Pedro percebeu um clima estranho, de despedida do pai, com quem convivera durante todos estes anos.Tudo bem que ele nunca fora um grande pai, mas foi quem cuidou dele e o educou durante estes dezesseis anos.
Pedro ficou meio sem jeito de dizer alguma coisa, percebera que o pai sentia-se um pouco desconfortável com aquela situação. - Sabe Pedro, quero dizer que apesar de tudo o que aconteceu – começou o pai cabisbaixo. – eu sempre o admirei e o amei. Quero que venha me visitar nas férias. Para o espanto de Pedro, havia grande sinceridade nas palavras de Luigi. Para ele, aquilo era novidade, estava acostumado a vê-lo sempre irritado e reclamando da vida. E pela primeira vez sentiu que Luigi se importava com ele, sentindo-se lisonjeado. - Ah, pai – emocionou-se. – Nem sei o que te dizer. – caiu em lágrimas. – Queria te agradecer e dizer que jamais irei esquecê-lo. - Te amo, filho – emocionado, disse o pai. – Boa sorte lá, qualquer coisa, pode voltar. – propôs. Pedro deu um grande abraço no pai e sorriu, seguiu até a beira dos trilhos e entrou no trem. Passaram-se algumas horas e ele percebeu que estava chegando ao seu destino. Ainda um pouco sonolento observava as pessoas que estavam ao seu redor. Então, o trem parou. Ele pegou sua mala e desceu; estava olhando para todos os lados, pois Helena o aguardaria ali.Foi quando viu uma mulher com aparência bonita, branca, dos cabelos negros, bem arrumada. - Pensei que demorasse mais. – logo abraçou o filho. – Ah, deve estar cansado, com fome. – disse Helena dando tapinhas nas costas do menino. - Tá tudo bem, mãe. – disse um pouco sem graça com toda essa preocupação – Vamos? - Tá ok. – pegou a mala do filho e colocou dentro do táxi que já o aguardava.
– Pedro, já te matriculei no Colégio Batista, é o melhor das redondezas. As aulas começam amanhã, já comprei os materiais e uniforme. - Parece ser cool - animou-se - Desculpe, cool? – perguntou a mãe, um pouco confusa - Ah, cool é legal, em inglês. Quis dizer que a escola parece ser legal– explicou. Helena entendera perfeitamente o significado, mas não sabia como o filho mudara o vocabulário, já que sempre havia estudado numa escola pública em São Paulo.
Os dois seguiram por ruas com bastante plantio e poucas pessoas passando. O garoto estava acostumado com barulho, congestionamento e milhares de pessoas circulando no mesmo lugar. Finalmente, chegaram numa casa rústica, aparentando ser bem aconchegante. Tinha um jardim imenso e algumas plantas exóticas no canto superior. Pedro entrou observando tudo. Helena apressou-se.- Irei mostrar seu quarto, filho. – começou bem entusiasmada. – Eu e Olivas que reformamos, pintamos e compramos móveis novos, acho que vai gostar.Eles subiram juntos as escadas. Depois do que a mãe disse, Pedro ficou bastante ansioso para ver seu novo quarto. Apesar de que qualquer coisa seria melhor em comparação com aquele em que dormia em São Paulo; o lugar fedia e tinha goteiras. - É isso! – mostrou o quarto super animada. O quarto tinha duas paredes azuis e duas verdes; eram as cores preferidas de Pedro. Uma cama no canto com o acolchoado verde, uma mesinha azul com uma foto dele quanto tinha um ano de idade e um computador novíssimo. - GENIAL! – apreciou o garoto com os olhos brilhando. – Obrigado mãe, eu realmente adorei. - Que bom, fico feliz – admirou Helena – Preciso te apresentar Olivas, acho que nem se lembra dele. -... Seu namorado? – completou Pedro. - A-h, é-é sim – gaguejou. – Pois bem, ao jantar ele chegará do trabalho e você o conhecerá. - Tudo bem – concordou, sem ânimo. A tarde passara. Helena fazia os serviços domésticos pela casa, o filho usou o computador: estava mandando recados aos poucos amigos que tinha, avisando que tinha mudado para Santa Catarina para morar com a mãe.
Até que Pedro estava se sentindo bem. Presumira que seria até pior que morar com o pai, mas via que pensou errado. Estava bastante animado, com expectativas da nova vida que acabara de iniciar. Entendeu que este era o seu presente de aniversário, pois estava feliz. Pouco depois, ouvia o barulho de um carro se aproximando da casa e a porta batendo. - Amor. – Helena foi recebê-lo. – Como foi o segundo dia de trabalho? - Foi ótimo – respondeu Olivas, cansado. – E o Pedro já chegou? – quis saber. - Ah, sim, está lá em cima. – Pôs-se a frente da escada apontando pro quarto do menino. – O jantar já está pronto, vou chamá-lo. Não foi preciso, pois Pedro ouviu toda a conversa do corredor e resolveu descer. Um pouco sem jeito foi chegando perto deles e acenou. - Ah, você que é o grande Pedro! – Foi simpático. - Presumo que sim. – respondeu meio sem graça. – E... você deve ser Olivas, certo? - Presumo que sim. – respondeu sorrindo para o enteado. – Bom, estou com bastante fome, vamos nos sentar. Todos foram para a cozinha, que tinha um fogão perfeitamente novo e uma pequena mesa, com três assentos. Helena servira um frango assado com jabuticabas, bastante apetitoso, fez um arroz com legumes. Logo Pedro sentiu o cheiro verde. - Quer dizer então que irá morar com a gente, Pedro. – começou animado. – Vai ser um prazer. - É, pra mim também, Olivas – Pedro ainda sentia-se um pouco sem intimidade com Olivas, mas sabia que era temporário, logo pegaria amizade com o homem. – Tenho certeza de que será tudo diferente. - Pode apostar nisso, filho. – Interpôs a mãe, feliz. O jantar fora bastante agradável, Olivas contara a Pedro tudo sobre a pequena cidade de Urubici, sobre as pessoas, o ócio e todo discurso de um veterano na cidade.
Pedro achou o padrasto bastante legal, e sentiu-se mais próximo da mãe. Foi dormir pensando em toda essa mudança, com grande expectativa para o dia seguinte, que seria seu primeiro dia de aula.
Naquele momento, sentiu como se estivesse iniciando uma vida nova, até sentira um pouco de emoção e animação ao pensar sobre este assunto. Resolveu então deitar-se, pois amanhã seria um dia de muitos acontecimentos.
– Fiz um café da manhã reforçado, presumo que a viagem será cansativa. Quando o pai tocou no assunto de viagem, logo se lembrou que há exatamente uma semana havia comemorado seu décimo sexto aniversário, tendo recebido a visita de sua mãe, Helena, que o convidou para morar junto dela. Ele aceitou e hoje, após o café da manhã, iria embarcar. - Ah, sim, pode ser – disse o garoto com os olhos semi-abertos. – Que horas eu pego o trem? - Exatamente às 10h– respondeu sem olhar para o filho. – E... são 9h!Assim que percebeu que tinha uma hora para fazer uma pequena refeição e terminar de colocar seus últimos pertences na mala, sentiu certo nervosismo, uma estranheza, uma sensação de adeus.Pedro, então, deu algumas mordidas nas torradas com manteiga e queijo, alguns goles no leite quente, levantou-se para apanhar o que faltava levar e sumiu pelo corredor que terminava em seu quarto. Passaram alguns minutos e o garoto voltava já com a mala e com uma roupa bastante quente; olhando no relógio e percebeu que faltavam trinta minutos para passar o trem. Luigi já esperava o filho no carro com impaciência, era um Escort preto, um pouco conservado. Pedro tive certa dificuldade em colocar a mala no porta-malas, mas com alguns socos nela, foi possível acomodá-la e finalmente, entrar ao carro. Seguiram para a estação de trem mais próxima deles. O garoto não parecia muito animado, mas também não estava triste. Durante todo o percurso, ninguém dirigira a palavra a ninguém, só era possível ouvir o suave barulho do chuvisco lá fora.
Enfim, chegaram a estação; o Pedro percebeu um clima estranho, de despedida do pai, com quem convivera durante todos estes anos.Tudo bem que ele nunca fora um grande pai, mas foi quem cuidou dele e o educou durante estes dezesseis anos.
Pedro ficou meio sem jeito de dizer alguma coisa, percebera que o pai sentia-se um pouco desconfortável com aquela situação. - Sabe Pedro, quero dizer que apesar de tudo o que aconteceu – começou o pai cabisbaixo. – eu sempre o admirei e o amei. Quero que venha me visitar nas férias. Para o espanto de Pedro, havia grande sinceridade nas palavras de Luigi. Para ele, aquilo era novidade, estava acostumado a vê-lo sempre irritado e reclamando da vida. E pela primeira vez sentiu que Luigi se importava com ele, sentindo-se lisonjeado. - Ah, pai – emocionou-se. – Nem sei o que te dizer. – caiu em lágrimas. – Queria te agradecer e dizer que jamais irei esquecê-lo. - Te amo, filho – emocionado, disse o pai. – Boa sorte lá, qualquer coisa, pode voltar. – propôs. Pedro deu um grande abraço no pai e sorriu, seguiu até a beira dos trilhos e entrou no trem. Passaram-se algumas horas e ele percebeu que estava chegando ao seu destino. Ainda um pouco sonolento observava as pessoas que estavam ao seu redor. Então, o trem parou. Ele pegou sua mala e desceu; estava olhando para todos os lados, pois Helena o aguardaria ali.Foi quando viu uma mulher com aparência bonita, branca, dos cabelos negros, bem arrumada. - Pensei que demorasse mais. – logo abraçou o filho. – Ah, deve estar cansado, com fome. – disse Helena dando tapinhas nas costas do menino. - Tá tudo bem, mãe. – disse um pouco sem graça com toda essa preocupação – Vamos? - Tá ok. – pegou a mala do filho e colocou dentro do táxi que já o aguardava.
– Pedro, já te matriculei no Colégio Batista, é o melhor das redondezas. As aulas começam amanhã, já comprei os materiais e uniforme. - Parece ser cool - animou-se - Desculpe, cool? – perguntou a mãe, um pouco confusa - Ah, cool é legal, em inglês. Quis dizer que a escola parece ser legal– explicou. Helena entendera perfeitamente o significado, mas não sabia como o filho mudara o vocabulário, já que sempre havia estudado numa escola pública em São Paulo.
Os dois seguiram por ruas com bastante plantio e poucas pessoas passando. O garoto estava acostumado com barulho, congestionamento e milhares de pessoas circulando no mesmo lugar. Finalmente, chegaram numa casa rústica, aparentando ser bem aconchegante. Tinha um jardim imenso e algumas plantas exóticas no canto superior. Pedro entrou observando tudo. Helena apressou-se.- Irei mostrar seu quarto, filho. – começou bem entusiasmada. – Eu e Olivas que reformamos, pintamos e compramos móveis novos, acho que vai gostar.Eles subiram juntos as escadas. Depois do que a mãe disse, Pedro ficou bastante ansioso para ver seu novo quarto. Apesar de que qualquer coisa seria melhor em comparação com aquele em que dormia em São Paulo; o lugar fedia e tinha goteiras. - É isso! – mostrou o quarto super animada. O quarto tinha duas paredes azuis e duas verdes; eram as cores preferidas de Pedro. Uma cama no canto com o acolchoado verde, uma mesinha azul com uma foto dele quanto tinha um ano de idade e um computador novíssimo. - GENIAL! – apreciou o garoto com os olhos brilhando. – Obrigado mãe, eu realmente adorei. - Que bom, fico feliz – admirou Helena – Preciso te apresentar Olivas, acho que nem se lembra dele. -... Seu namorado? – completou Pedro. - A-h, é-é sim – gaguejou. – Pois bem, ao jantar ele chegará do trabalho e você o conhecerá. - Tudo bem – concordou, sem ânimo. A tarde passara. Helena fazia os serviços domésticos pela casa, o filho usou o computador: estava mandando recados aos poucos amigos que tinha, avisando que tinha mudado para Santa Catarina para morar com a mãe.
Até que Pedro estava se sentindo bem. Presumira que seria até pior que morar com o pai, mas via que pensou errado. Estava bastante animado, com expectativas da nova vida que acabara de iniciar. Entendeu que este era o seu presente de aniversário, pois estava feliz. Pouco depois, ouvia o barulho de um carro se aproximando da casa e a porta batendo. - Amor. – Helena foi recebê-lo. – Como foi o segundo dia de trabalho? - Foi ótimo – respondeu Olivas, cansado. – E o Pedro já chegou? – quis saber. - Ah, sim, está lá em cima. – Pôs-se a frente da escada apontando pro quarto do menino. – O jantar já está pronto, vou chamá-lo. Não foi preciso, pois Pedro ouviu toda a conversa do corredor e resolveu descer. Um pouco sem jeito foi chegando perto deles e acenou. - Ah, você que é o grande Pedro! – Foi simpático. - Presumo que sim. – respondeu meio sem graça. – E... você deve ser Olivas, certo? - Presumo que sim. – respondeu sorrindo para o enteado. – Bom, estou com bastante fome, vamos nos sentar. Todos foram para a cozinha, que tinha um fogão perfeitamente novo e uma pequena mesa, com três assentos. Helena servira um frango assado com jabuticabas, bastante apetitoso, fez um arroz com legumes. Logo Pedro sentiu o cheiro verde. - Quer dizer então que irá morar com a gente, Pedro. – começou animado. – Vai ser um prazer. - É, pra mim também, Olivas – Pedro ainda sentia-se um pouco sem intimidade com Olivas, mas sabia que era temporário, logo pegaria amizade com o homem. – Tenho certeza de que será tudo diferente. - Pode apostar nisso, filho. – Interpôs a mãe, feliz. O jantar fora bastante agradável, Olivas contara a Pedro tudo sobre a pequena cidade de Urubici, sobre as pessoas, o ócio e todo discurso de um veterano na cidade.
Pedro achou o padrasto bastante legal, e sentiu-se mais próximo da mãe. Foi dormir pensando em toda essa mudança, com grande expectativa para o dia seguinte, que seria seu primeiro dia de aula.
Naquele momento, sentiu como se estivesse iniciando uma vida nova, até sentira um pouco de emoção e animação ao pensar sobre este assunto. Resolveu então deitar-se, pois amanhã seria um dia de muitos acontecimentos.
Poxa, bem escrito. Facil de entender. E modestia parte me deixou com uma curiosidade ressaltante!
ResponderExcluirhsauhsuahsu -
espero que consiga, no pouco tempo que tenho. Terminar de ler tudo ainda hoje :D
Beijos
Chegeeeei pra animar isso aqui. Mas falando sério, achei a Manu chatinha, não fui com a cara dela, hehe. Parabéns, tá ótimo o texto!
ResponderExcluirQuero ler o segundo, agora!
ResponderExcluirehhehehehe
o Olivas parece ser bacana.. mas não sei ainda direito..