LIVRO UM - INÍCIO
Parecia que todo álcool que ele tinha absorvido, tinha saído de seu organismo, de alguma forma, estava completamente normal. Saiu com pressa dos fundos da casa, em direção a pista, onde estavam seus amigos. Não tinha mais clima algum dele ficar ali.
- AAAH, AÍ ESTÁ ELE. – gritou Malu. – VEM DANÇAR COM A TITIA.
- OW OW PEDRO É MEU BROW. – cantou Ícaro, totalmente alegre.
- Vamos embora. – disse Pedro, sem rodeios.
- Como assim. – espantou-se Malu.
- Lá fora nós conversamos. – falou o garoto.
Saíram às pressas da enorme sala, e alguns olhavam para o rosto horrorizado de Pedro. Não deram tchau para ninguém, muito menos para o dono da festa. Ícaro e Malu o acompanhavam perplexos, querendo saber o motivo pela qual fez o amigo voltar do jardim tão irritado e estranho. Enfim, depois de serem esmagados por alguns, conseguiram sair da enorme mansão de Henrique.
- O que aconteceu? – perguntou Malu, colocando-se a frente do amigo.
- É, como assim, a festa está ótima. – disse Ícaro sorrindo.
- Se quiserem voltar, podem ir. – falou Pedro. – Vou embora sozinho.
- Não é bem assim. Conte o que aconteceu, Pedro.
- Vocês confiam em mim? – disse abaixando a cabeça.
Logo os dois amigos perceberam que o que acontecera, pelo menos para Pedro, era grave; Aproximaram-se dele
- Claro que confiamos, e você pode confiar na gente. – disse Ícaro, abraçando o amigo.
- Ok. – acalmou-se o garoto. – Henrique me levou para os fundos da casa dele, no jardim, perto da piscina. Eu estava completamente tonto, deitei na grama com ele, e...
- E o que? – perguntou Malu assustadíssima.
- E ele me deu um selinho, se eu não levantasse, ele me beijaria. – falou sem rodeio algum.
Malu e Ícaro se entreolharam, perplexos. Não sabiam o que dizer, estavam realmente assustados com o que acabaram de ouvir.
- Meu deus. – disse Malu. – E... Você... Gostou?
- Mas é claro que não. – irritou-se Pedro. – Que pergunta Maria Luiza!
- Não sabia que ele gostava de garotos também. – refletiu Ícaro.
- Bom, não importa. – começou Malu. – Isso não deve sair daqui. Espero que Henrique não comente com ninguém.
- Fala com ele, Pedro. – disse Ícaro. – Seja franco, diz que não gostou e que não gostaria que as pessoas soubessem que isso aconteceu.
- Ta bem. – começou Pedro. – Olha, por favor, não comente com ninguém, estou confiando.
- NEM PRECISA PEDIR ISSO. – falou Ícaro e Malu juntos.
- Fico lisonjeado. – pensou. – Estou me sentindo estranho, ele me beijou. – ergueu as sobrancelhas. – Preciso dormir, refletir... Estou arrependido de ter vindo nessa festa.
- Ta com nojo dele? – perguntou Malu atenciosa.
- Não sei. – pensou. – Preciso organizar essas informações, descansar.
Eles seguiram pelas ruas escuras, não havia nenhuma pessoa na rua. Malu e Ícaro já estavam “normais”, o efeito do álcool já passara para eles. Pedro permanecia calado, não falava uma palavra sequer. Malu contava que tinha um garoto do terceiro ano que a paquerou na pista de dança. Ícaro apenas concordava com o que a garota dizia.
Fazia bastante frio, o silêncio da rua era até assustador, eles apressaram-se com um pouco de medo de assalto. Que seria pura tolice; ladrão em Urubici? Os únicos moradores que habitavam a cidade, por incrível que pareça, eram cidadãos de bem.
- Bem, querem que eu acompanhe vocês até suas casas? – perguntou Pedro, cansado.
- Não precisa. Esqueceu que moro uma quadra daqui? – disse Malu
- E eu irei dormir na casa da Malu. – falou Ícaro. – A acompanho.
- Que seja. – começou a garota. – Amanhã no período da tarde, iremos vir aqui, ver como você está.
- Tudo bem, amigos. – disse Pedro, andando em direção ao portão de casa. – Boa noite!
Os dois seguiram pela calçada conversando, e Pedro entrou. Percebeu que sua mãe e Olivas estavam dormindo; olhou no relógio e era 03h40 a.m, não achou muito tarde, por tudo o que aconteceu na festa, parecia que era bem mais tarde.
Subiu as escadas e entrou em seu quarto; mal removeu sua roupa do corpo, só tirou o tênis e jogara-se na sua cama.
O dia amanhecera; Pedro foi acordar só às 14h00. Estava realmente cansado da noite passada, completamente confuso sobre a noite passada. Não conseguiu parar pra pensar até agora no assunto.
- Bom dia. – disse Helena. – Boa tarde!
- Ah, já deve ser tarde. – falou Pedro.
- Como foi a festa? – perguntou a mãe atenciosa.
- Foi... Boa. – respondeu sem muita animação. – Malu e Ícaro devem estar chegando.
- Primeiro irá comer. – disse observando o garoto. – Está meio pálido, precisa comer algo, depois da bebedeira de ontem.
- Como assim, bebedeira, mãe. – assustou-se Pedro.
- Já tive sua idade, já fui às festas, já fiz tudo isso. – respondeu a mãe, indo para a cozinha.
O garoto ficara paralisado, admirando como a mãe não brigou com ele, não pode negar que não bebeu, pois bebeu, e bastante.
Não conseguia remover de sua mente a cena que deparou-se no jardim durante a festa. Ficava vindo flash em sua mente da parte que Henrique o beijara. Isso estava o deixando louco; não conseguia concentrar-se em mais nada, ao não ser lembrar-se do ocorrido na noite passada.
Finalmente, a companhia tocou e o garoto foi apressado para ver quem era.
- Oi. – disse Pedro, fazendo um movimento com as mãos, para os amigos entrarem. – Tudo bem?
- Com a gente sim. – falou Malu. – E você, como ta?
- Bem, vamos subir pro meu quarto. – chamou Pedro, subindo as escadas junto dos dois, e falando baixinho para eles não demonstrarem nada de estranho para a mãe dele. Chegaram no quarto que estava perfeitamente arrumado, nem parecia que o garoto dormira ali nesta noite.
- E aí, cara. – falou Ícaro. – Como está.
- Confuso. – contou. – Atordoado, estranho e tudo que podem imaginar.
- Você gostou Pedro? – perguntou Malu. – Seja sincero
- Mas que pergunta Malu. – intrometeu-se Ícaro. – Claro que não.
- É, ele tem razão. – falou Pedro. – Eu odiei!
- Sei. – desconfiou a menina. – Nesse caso, para você meio que “esquecer” isso, acho necessário você ficar com uma garota.
- Exatamente. – concordou Ícaro. – Que tal...
- Ágata. – completou Malu. – Ela não para de te paquerar.
- É. – falou Ícaro. – E é pegável.
- Sei lá. – pensou. – Se for pra esquecer isso, pode ser.
- Irei falar com ela, prometo. – prometeu Malu. – Relaxa
Os três passaram a tarde comendo besteiras, ouvindo música e conversando de diversas coisas. Eles estavam bastante próximos; Pedro nunca tivera amigos como ele; sentia-se muito bem com a presença deles. Parecia que agora realmente achou amigos verdadeiros e do jeito que ele sempre queria, pra confiar e contar seus segredos.
Após os amigos irem embora, passou o resto do domingo assistindo seriado com Olivas e Helena; adorava Heroes. Já tinha todos os deveres escolares feitos, e principalmente os que tinha para entregar no dia seguinte.
Ainda sentia-se bastante confuso com os acontecimentos atuais. Achava uma boa idéia a Ágata, mas não tinha certeza de que a menina aceitaria, e este era o seu medo.
Como seria chegar amanhã na escola e olhar pro rosto do Henrique. Será que ele contara para alguém? Não era possível presumir muito, mas que seria um clima chato, isso era certeza. Mesmo com sua grande confusão de pensamentos e reflexões, o garoto foi deitar-se, conseguiu pegar no sono e dormir.
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