terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

CAPÍTULO 3º – A FESTA

LIVRO UM - INÍCIO
Malu e Pedro seguiram até o enorme pátio do colégio animados e falando de coisas aleatórias. - Ah, preciso ir à biblioteca pegar dois livros. – lembrou-se a menina. – Vou lá, você me espera? - Claro, pode ir sossegada. – concordou Pedro. – Vou ficar aqui pelo pátio. A menina saiu apressada e atordoada em direção à biblioteca. Pedro a estava adorando, achara a nova amiga super engraçada e legal.Ficou andando pelo pátio, vendo umas esculturas exóticas perto da parede, depois seguiu em direção à sala de artes e ficou lá, apreciando os quadros. - Ei. – chamou Henrique. – Você é da minha classe. – aproximando-se do novato. – Te vi lá, quando se apresentou lá na frente. - Ah, sou eu sim. – respondeu Pedro com um pouco de vergonha. – Prazer. – e apertou a mão dele com simpatia. - Sou Henrique Alcântara. – sorriu o garoto. – Deve ter ouvido falar mim, não? Henrique era bastante convencido, achava que a primeira coisa que o novato ouviria ao chegar à escola era o seu nome. - Não tive tempo ainda. – respondeu. – Bem... - PEDRO! – apareceu gritando. – Aí está você, te procurei no pátio, está tudo bem? - Tá sim, Luiza. – disse um pouco assustado. - Já te disse, pode me chamar de Malu, MA de Maria e LU de Luiza, saca? – explicou a garota animada. - Ah, percebo que fez amizade com a Malu – se pôs na conversa. – Legal. Bom, já vou indo. – apressou-se. – E ah, sábado terá uma festa na minha casa, estou chamando o ensino médio inteiro, vocês estão convidados! - A-h-h, f-i-c-o lisonjeado. – gaguejou Pedro. – Preciso me enturmar mesmo. E então, Henrique saiu acompanhado de uma garota, aparentemente sua ficante, namoradinha ou alguma coisa do gênero. - Nossa você já está bem enturmadinho. – provocou Malu. – Mas logo com o Henrique Alcântara, poxa. - Como assim, “logo com o Henrique Alcântara”? – perguntou confuso. - Ah, esqueci que você é novo aqui. – começou a garota. – Olha, o Henrique é estranho, é reservado demais; aliás, muito me admira ele dar uma festa e convidar todo o ensino médio. Ele jamais dirigiu a palavra a mim durante seis anos em que estudo com ele. – conta. - E... isso é ruim? – perguntou ainda mais confuso. - Bem, não, mas sei lá, Pedro. – desconfiou. Pedro e Maria Luiza deixaram o grande pátio do colégio e seguiram até a saída. Todos os alunos estavam saindo de suas classes em grupinhos limitados. Alguns que passavam, os encaravam com olhares estranhos. Na saída, Pedro observou Henrique sentado sozinho num banco perto de um ponto de ônibus, aparentemente esperando alguém para buscá-lo. Logo parava um carro desconhecido, parecia até um desses importados de cinema. Henrique entrou nele imediatamente e o veículo disparou e sumiu de vista. Após alguns minutos, Helena estacionou no ponto, em frente à grande entrada do colégio. Logo Pedro percebera a mãe ali. - Bom, já vou indo, minha mãe chegou. – disse. – Até amanhã Malu. - Tá aprendendo, isso aí, me chame de MALU. – riu a garota. – Até amanhã Pedro. O garoto atravessou a avenida e acenou para a mãe; entrou no carro e foi contando tudo sobre o seu primeiro dia no colégio novo. Helena percebeu certa animação em Pedro e sentiu-se feliz por isso. Até que a semana passara rápida. Pedro estava cada vez mais aproximado da mãe e de Olivas, que às vezes o ajudava com o dever de física. As coisas em casa iam muito bem; o garoto estava adorando morar com os dois, sentia-se bastante feliz ali. Ajudava a mãe em alguns deveres domésticos, que refletia em um enorme orgulho para Helena. Até ir ao supermercado era divertido; Olivas colocou Pedro no carrinho e correu com ele no corredor de doces e salgados. Fora uma cena bastante engraçada, o garoto achou um máximo aquilo. O adolescente passou a ter um carinho enorme por Olivas, algo que nunca sentiu por Luigi. Mesmo sendo pouco tempo de convivência, parecia que o conhecia há décadas. Poderia o considerar como pai, facilmente. No colégio, Pedro, Malu e Ícaro cada vez estavam mais amigos. O novato realmente se identificou com os dois. Durante as aulas do Giuliano, eles trocavam papeizinhos fazendo piadinhas e desenhos do professor. Ágata não parava de encará-lo, às vezes era até desconfortável. Quando via Henrique de relance, o cumprimentava, pois ele fora simpático de convidá-lo para a festa dele. - Bem, é amanhã a festa do Henrique. – disse Malu. – Você vai, Pedro? Ícaro e Maria Luiza se entreolharam antes que o garoto pudesse responder. - Acho que sim. – respondeu animado. – Vocês vão comigo, né? - Olha Pedro. – começou Ícaro. – Minha família não é muito fã da do Henrique não, sabe. – contou o garoto. - Silêncio, garotos! – pediu a professora Lilian, que estava lendo um trecho da história árcade no Brasil. - Obrigado - Como assim, não é muito fã. – perguntou baixinho. - A família do Ícaro tem certa briga com a do Henrique. – intrometeu-se Malu. – Briga... política. - Eles são praticamente inimigos antes mesmo de eu nascer. – disse Ícaro. – Cresci ouvindo minha família dizendo para eu me afastar dos Alcântara. Por isso, nunca tive amizade com ele. - Nossa, que coisa. – pensou Pedro. – Ah, mas eu queria ir e queria que fossem. - Posso ir com você, também sou convidada. – animou-se Malu. – Quanto a você Ícaro, eu não vejo problema em ir, pois os pais dele viajam hoje e voltam só na segunda-feira. A coisa que pega mesmo é com os pais dele. - Não sei não. – refletiu Ícaro. – Henrique também nunca gostou de mim. - E daí? – disse Pedro. – Ele me convidou e você vai comigo. - Concordo com o Pedro. – aproximou-se a garota. – E outra, pode falar aos seus pais que irá dormir na minha casa ou na do Pedro. - Ótima idéia. – admirou Pedro. – O que acha? - Não acho bom. – disse Ícaro. – Mas irei por vocês dois, só por isso. - Fico lisonjeado, amigo. - Iremos arrasar. – falou Malu dando tapinhas nas costas dos dois garotos. Finalmente chegou o final da aula, todos saíram, Pedro combinou horários com os amigos e saiu em direção ao ponto de ônibus; sua mãe já o aguardava. - Mãe. – começou o garoto animado. – Tenho uma festa pra ir amanhã! - Que legal. – disse a mãe. – Vai com quem? Aonde é a festa? - Vou com a Malu e o Ícaro. – contou Pedro. – É na casa do Henrique Alcântara. - Conheço o pai dele. – pensou Helena. – É de confiança, pode ir. – sorriu a mãe. - Que bom, né. – disse o filho. – Ah, mãe, estou animado pra festa! - Acho ótimo você estar assim, gostando da escola, filho. – disse feliz. Seguiram pelas ruas estreitas da pequena cidade de Urubici. Como sempre, poucas pessoas nas ruas e o trânsito bastante tranqüilo. Quando chegaram, viram que o carro de Olivas estava estacionado na frente de casa; Logo entraram apressados. - Olivas? – perguntou Helena. - Oi. – respondeu – Agora posso cumprir uma hora e meia de almoço. - Isso é válido. – disse Pedro. – Olivas, vou numa festa amanhã, de um colega. – disse animadíssimo. - Uau. – espantou-se. – Parece que tá fazendo sucesso no colégio novo. – elogiou. – Isso aí, Pee, dou maior força. - Fico bastante lisonjeado, pa-a...Olivas. – E antes que pudesse falar “pai” imediatamente corrigiu-se, Olivas e Helena encaravam Pedro. - Pai? – perguntou Olivas. – Se quiser chamar-me assim, ficaria ainda mais lisonjeado. – Helena sorriu. - Sei lá, pai... digo, Olivas. – confundiu-se. - Seria estranho. - Bom, você é quem sabe Pedro. – disse o padrasto feliz. Pedro passou o resto do dia lendo um livro de Machado de Assis, que a professora Lilian recomendara e que cairia nos provões bimestrais. Tinha que auxiliar o dicionário constantemente, pois o vocabulário que o autor usava era bastante complexo para a inteligência do garoto. O grande sábado chegara, já era à noite e o céu estava bastante estrelado, típica noite de final de semana em Urubici. Pedro já ia se arrumar para a tal festa. - Tenho uma surpresa. – disse Helena tirando um pacote de trás dela. – É pra você! – e entregou. - Oh, não precisava. – e começou a abrir com rapidez. - É para você usar hoje na festa. – disse animada. – Para ir todo gatão! – Pedro riu. Era uma camiseta preta, muito bonita; com o desenho de uma guitarra e umas caixinhas de som em prata, com um aspecto florescente. - Que camiseta linda, mãe. – admirou Pedro. – Muito obrigado! – e beijou a mãe. - Que nada, agora vá tomar um banho e arrumar-se. – deu um empurrãozinho no filho. – Daqui a pouco seus amigos já estão aqui. - Ok, ok, estou indo. – foi em direção ao banheiro com uma toalha azul na mão. Passaram-se uma hora e meia; Pedro já estava terminando de arrumar-se. Malu e Ícaro o esperavam na sala de star, junto com Olivas e Helena. Ícaro usava uma camisa branca com listras pretas, uma calça cinza e o cabelo aparentemente arrumado. Malu estava com um vestido vermelho com um bordado brilhante nas costas, seu All Star lilás dava um toque especial, seu cabelo cacheado estava preso e sua maquiagem a deixava ainda mais bonita. Como sempre, Maria Luiza, muito simpática conversara bastante com a mãe do amigo e o padrasto. Helena adorou a menina, achou-a autêntica. - Estou pronto! – exclamou Pedro, descendo as escadas e sendo o centro das atenções de quem estava na sala. Estava com a camiseta nova que sua mãe o dera, uma calça jeans um pouco justa, um tênis Nike, o cabelo bagunçado e um perfume extremamente agradável. - Você está... Lindo. – babou Malu - Tá no estilo, Pedro. - disse Ícaro. - Nossa, obrigado. – corou Pedro. – Bem, vamos? Todos levantaram-se e o garoto foi se despedir da mãe e Olivas. - Juízo, menino. – disse a mãe dando um beijo no filho. - Não faça nada que eu não faria. – sorriu Olivas. Os três saíram animados e conversando alto. A casa de Henrique não era tão longe, dava pra ir a pé. Andaram um pouco, mas conversando e rindo, passava bem rápido. Quando pensaram que não, já estavam na rua da festa. Dava pra ouvir a música de longe. Era eletrônica e deixou os três animados. Enfim, chegaram e foram entrando. A casa estava praticamente lotada, era uma casa bem luxuosa, com móveis planejados. Estavam todos do ensino médio, mesmo. Três caras faziam drinks num balcão no fundo da sala. Uns sofás e pufes eram ocupados por casais se beijando; ao fundo, um DJ bastante animado tocando uma música eletrônica bastante envolvente, o som era bem alto e a maioria dos jovens estava no meio da pista dançando. Tinha luzes coloridas, globos giratórios e uma luz branca que piscava constantemente. A casa estava tão lotada, que tinha gente até na escada dançando. - Puxa, ele deve ter gastado um dinheiro nisso. – disse Malu para os amigos. - AH. – falou alto. – Aí estão vocês. – disse Henrique. – Hum, vejo que Ícaro também veio. - Algum problema? – perguntou - Não, nenhum. – respondeu rápido. – Hoje, a noite é só curtição. – disse sorrindo. – Fiquem à vontade, tem bebidas ali, na cozinha tem alguns lanches, enfim, sintam-se em casa! - Obrigado. – agradeceu Pedro. – Vou beber alguma coisa, bora gente? Os três seguiram até o balcão dos drinks; Malu andara dançando ao som da música e levantando as mãos de Pedro. Estava no último volume, não tinha uma pessoa que não dançava. Era impossível ouvir algo que alguém dizia. - O que vão querer? – perguntou o garçom. - Hum. – pensou Pedro. – Coca-cola? - Um minuto. – disse Malu. – Refrigerante? Acho que já passou a fase disso. – falou a garota gritando, para que a ouvisse. – Bem, três drinks de morango. – pediu. – E ah, com bastante vodka. - Como assim. – espantou-se Pedro. – Nunca bebi. - Irá beber pela primeira vez então. – animou-se Ícaro. – Qual é, estamos numa festa. - Se eu ficar bêbado, vocês irão me carregar. O garçom entregou os três drinks aos jovens. O copo era bem decorado, com um guarda-chuva chuva chinês. Dava pra ver os pedacinhos de morango e o cheiro de álcool. Pedro deu a primeira golada; achou doce, apesar de bem forte, mas adorou. Seguiram para o meio da pista para dançar; avistaram Ágata e suas duas amigas. Mesmo assim, os três fizeram uma rodinha e começaram a mexer-se. Pedro não sabia muito como dançar música eletrônica, mas antes que pudesse frustrar-se, começou a tocar Weezer, sua banda favorita e que coincidentemente, também era a de Ícaro. Eles pularam, rodaram, dançaram, e viraram o drink de uma vez só. Malu fora buscar outros drinks e voltara rápido. - Experimentem. – disse Malu, dando as taças para eles. – É Mojito o nome, melhor drink do mundo. – contou empolgada. – Tem bastante rum. Eles deram os primeiros goles, e acharam extremamente bom. A garota tinha razão, era o melhor drink do mundo; mesmo sendo o segundo drink que Pedro tomara em toda vida. Quando os garotos pensaram que não, já tinham tomado tudo. Isso repetiu-se por várias vezes, tomaram diversas taças de Mojito e algumas de saquê com frutas. Depois de todo esse coquetel, os três sentiam-se alegres; Pedro estava sentindo uma sensação nova, alegre, risonha, feliz. Era óbvio que eles já estavam bêbados. Então voltou a tocar música eletrônica e como já estavam fora de si, dançaram e pularam bastante. - Nossa. – chegou Henrique. – Estão mesmo se divertindo. – O garoto também estava um pouco alterado. - OOOOOOOOOOOI – disse Pedro gritando. - A FESTA ESTÁ MUITO BOA. – gritou Malu, puxando Ícaro. – Vai Ícaro, até o chão! - Seus amigos estão bem à vontade. – sorriu Henrique. – Vamos dar uma volta? - VOLTAR? – gritou Pedro, a música era alta demais. - Dar uma volta. - Ah, sim. – entendeu. – Pode ser. – sorriu o garoto. Os dois saíram da pista e a maioria das pessoas se entreolhavam e comentavam. Passaram pela imensidão tropeçando e empurrando para poder passar. Estavam indo para o jardim atrás da casa, onde ficava a piscina. Nessa noite, era lua cheia, estava uma visão esplêndida. Henrique sentou na grama e fez sinal para Pedro sentar também. - Estou bêbado. – disse baixinho. – Nunca bebi na vida! – abaixando a cabeça. - Pra tudo tem uma primeira vez. – falou sorrindo. – Eu também estou alterado. - Completamente insanos. – ria Pedro. Os dois deitaram na grama, e observaram que o céu estava com bastantes estrelas. Dava pra ouvir a música, mas não na mesma freqüência da sala. Pedro rira sozinho e Henrique ria da risada do garoto, pois era cômica. - Tá gostando da cidade nova? – perguntou. - Adorando. – riu Pedro. – A escola, meus amigos, tudo! – falou animadíssimo. - Que bom. – olhou fixamente para o garoto. – Assim, tenho a certeza de que irá ficar mesmo. - POIS É. – gritou Pedro. - Calma, não precisa gritar. – disse Henrique, colocando a mão na boca de Pedro. Por um segundo percebeu que o garoto corara, logo, tirou a mão. – Ah, desculpa! - Não precisa. – Os dois se entreolharam fixamente, estavam um perto do outro. Henrique foi chegando mais perto e levemente passou a mão no cabelo liso de Pedro. Foi se aproximando do rosto dele; Pedro ficara imóvel, não mexera nenhuma parte de seu corpo. Quando encostou sua boca na dele, fechou os olhos e sentiu uma enorme excitação, de ambos. Antes que começasse a rolar um beijo mesmo, Pedro afastou-se rapidamente, levantou atordoado e tonto. Não acreditava que aquilo poderia ter acontecido, nunca se interessara por um garoto, nunca beijara um garoto, mesmo sendo um selinho, não importava, isso eraestranho. Ficou sem graça, não olhava para o rosto de Henrique. - Aonde você vai? – perguntou Henrique, levantando-se. - Não, não importa. – disse com a voz falhando. – Já vou indo, até mais.

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